PÁSCOA, EXPOENTE DO PERDÃO

A Páscoa tem de base um único princípio, a liberdade.
A primeira Páscoa, também conhecida como Páscoa judaica, tem origem na libertação milagrosa do povo judaico, depois de 400 anos como escravos no Egito. Este acontecimento está descrito na Bíblia no livro de Êxodo.
Muitos povos já lutaram pela sua liberdade, mas neste caso, um povo escravo, sem armas e sem exército foi libertado pelo poder sobrenatural de Deus contra uma das mais poderosas nações da altura.
Se a Páscoa judaica significa liberdade através de Deus, Jesus Cristo trouxe novos princípios à Páscoa.
A Páscoa cristã, não é a celebração de um acontecimento passado, é um ato contínuo de liberdade que traz as pessoas da escravatura e do engano para a liberdade e verdade, tudo proporcionado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Uma parte importante da libertação dos escravos judeus foram as dez pragas, mas a marcação das portas com o sangue de cordeiro para evitar a visita do anjo da morte na última praga, foi o prenúncio da obra sacrificial e substitutiva de Jesus Cristo na cruz do Calvário.
Este ato substitutivo de Jesus Cristo trouxe a toda a humanidade aquilo que se chama de salvação, ou reencontro com Deus, ou o encontrar o equilíbrio e é tema sobre o qual já escrevi.
Segundo o conceito do Velho Testamento, a paz com Deus só era efetuada através de oferendas de cereais ou de animais. Uma parte seria para queimar em oferta ao Senhor, a outra seria para a alimentação dos sacerdotes. Dos animais, geralmente cordeiros, a gordura era para queimar, a carne para a alimentação.
Este ritual foi imposto por Deus para que o seu povo não tivesse os mesmos hábitos de sacrifícios de pessoas e crianças aos deuses dos povos. Na Europa a morte de crianças em rituais religiosos sacrificiais só terminou com a propagação do cristianismo, que zela pela vida física, psicológica e espiritual.
Jesus Cristo, Deus, ofereceu-se para substituir definitivamente as ofertas pelos pecados e pagou na cruz do Calvário a derradeira sentença, por isso é chamado o Cordeiro de Deus. Assim, em Jesus Cristo, terminaram as oferendas e todos aqueles que quiserem, podem-se incluir nesta maravilhosa aventura de graça e libertação oferecida pelo próprio Deus, para que se tenha vida.
Através da morte e ressurreição de Jesus Cristo ganha-se liberdade e vida, mas a aumenta a responsabilidade. Com Jesus Cristo alterou-se o modo de pagamento, cada humano já não precisa de pagar, já foi tudo pago, que tem como consequência a não intervenção com atos materiais e/ou cerimoniais, pois o perdão passou a ser uma atitude recetiva e não participativa.
Com esta Nova Aliança, assinada por Jesus Cristo em nome de todos, os humanos entram na fase adulta. Com Adão e Eva foi a perda da ingenuidade, com a libertação do Egito e posterior legislação levítica foi a juventude, foi a fase em que o pecado tinha um custo, tal como uma punição que poderia ser substituída por um pagamento, com a Nova Aliança o preço foi pago definitivamente e a punição foi cumprida. Assim aumenta a responsabilidade, pois a salvação vem pela fé e é uma opção. A Nova Aliança com Deus em Jesus Cristo é uma atitude que tem de dar fruto.
Ao selar na cruz a Nova Aliança, Jesus Cristo colocou a ênfase da vida em dois princípios, o perdão e a assunção das responsabilidades em nome dos outros.
Perdoar é em primeiro lugar uma atitude recetiva. Não se pode dar o que não se tem. Só se pode praticar o perdão se já se recebeu o perdão da cruz. Somos canais de bênção e não acumuladores, somos rios e não barragens. A mensagem da cruz é esvaziada quando não se põe em prática, pois o sacrifício na cruz efetuado por Deus foi um tremendo ato de amor ao perdoar todos os que querem ser perdoados. O perdão é para todos, mas tem uma condição, só se torna efetivo para aqueles que o aceitarem e os que o aceitam tornam-se fontes de perdão. Perdoar é um ato de fé, é uma expressão de confiança. Não se perdoa para se receber algo em troca, perdoa-se e pronto. Um ato de perdão genuíno produz libertação das raízes de amargura e com todas as consequências positivas no plano espiritual, noplano psíquico e até no físico. O perdão produz o equilíbrio na totalidade do ser.
O perdão é de tal maneira importante que as falsas doutrinas utilizam-no para manipular as pessoas de boa vontade. Utilizando a paráfrase de um poeta, pode-se dizer que os maus são uns fingidores que fingem completamente o perdão, que não dão, mas que exigem dos outros.
Em Mateus capítulo 10, Jesus envia os discípulos em missão. Entre as ordenanças e conselhos, Jesus instruiu-os a serem prudentes e inofensivos, pois ia enviá-los para o meio de lobos. Este conselho continua a ser válido, pois os falsos tentam manipular o perdão.
O cônjuge que manipula o outro para puder fazer o que quer, mas que não tenciona alterar o seu comportamento.
O hipócrita que dá um ar de sério e exige perdão mas que não tenciona mudar.
O mentiroso que sabe o que está a fazer, mas exige perdão e não tenciona corrigir a mentira.
Os manipuladores que fazem tudo para obter o que pretendem.
Os apoiantes que muitas vezes sabem que estão errados, mas preferem continuar no erro e ainda exigem recompensa.
Tantos casos em que as vítimas para continuarem a ser destruídas psicologicamente, fisicamente e espiritualmente são manipuladas com o argumento do tens de perdoar.
É importante realçar que perdoar não é o mesmo que ser auto destrutivo. Perdoar não sendo uma alternativa, também não significa que se tenha de continuar a sofrer abusos. Por vezes a melhor solução é o afastamento, caso seja possível, pois sabe-se que quer os abusadores ou os seus apoiantes estão sempre prontos a enganar. A Igreja está repleta de falsos, pois é o sítio perfeito para os abusadores e seus apoiantes saciarem a sua maldade, seja na coscuvilhice, seja nas coisas simples do dia-a-dia, na destruição de famílias, nas falsas doutrinas, no aconselhamento ao adultério fingindo ser apoiado divinamente, na manipulação de sentimentos, na extorsão de bens e dinheiro e em tantas outras áreas.
Perdoar sem condições, sim, mas conviver ou viver com as origens, ou seja, com os agressores exige prudência e oração.
Jesus prometeu um consolador que ficaria connosco para sempre (Jo 14:16). O Espírito da verdade ajuda-nos em situações de desconforto, agressões ou perseguições, sejam dentro ou fora da igreja e nos momentos de solidão criados pelos agressores e manipuladores muitas vezes o Espírito Santo é a única ajuda.
Os exemplos do perdão devem vir de cima, e Deus não é exceção, Ele deu o exemplo. Deus deu tudo o que tinha para a reconciliação perdida no Éden. Jesus Cristo foi acima de tudo um prático, a sua vida correspondia com os seus ensinamentos. Perdoar foi a Seu ato final, e para isso foi crucificado
A Páscoa é a reconciliação definitiva com Deus, preparada e consumada por Aquele que foi ofendido, desconsiderado e ultrajado.
A crucificação foi o pagamento definitivo do pecado, que é o que nos separava de Deus.
O perdão não é uma ato emocional é uma ordenança que foi implementada na prática pelo próprio ordenador e não é uma alternativa, é uma consequência prática e real praticada por Deus e é o expoente máximo do amor.
O perdão não sendo um ato emocional é uma atitude definitiva, não é algo hoje, mas amanhã por qualquer motivo volta a agitar a alma.
O perdão real produz não apenas libertação de ambas as partes mas também produz cura, cura da alma com a libertação do peso da ofensa.
Mas a ênfase da Páscoa não foi apenas no perdão, foi também na assunção de responsabilidades em nome de outros.
Jesus Cristo assumiu uma dívida em incumprimento, dívida originária no Éden e que passava de geração em geração. Esta assunção de responsabilidade diante de Deus, em nome de toda a humanidade não foi uma atitude emocional, foi um ato deliberado e consciente.
O perdão deve ser uma prática de cada cristão, assim como o exemplo de Jesus Cristo de assumir a responsabilidade dos atos de outros, deve também fazer parte da prática cristã.
Hoje consideramos a morte e ressurreição de Jesus Cristo como uma vitória, que nos coloca por cabeça pelo conhecimento de Jesus Cristo, alterando assim a perceção do universo. Na altura não foi assim, a condenação foi considerada pelos senhores do templo como uma derrota para Jesus, pois pensavam que tinham derrotado e humilhado publicamente o seu adversário.
Não somos diferentes de Jesus Cristo, o facto de perdoarmos e de assumir culpas dos outros vai trazer humilhação, mas paradoxalmente a libertação que produz é incomensuravelmente superior aos danos. Eventualmente pode-se ficar mal visto e incompreendido pelos outros, mas a alma fica liberta da responsabilidade e do peso do pecado nem que seja o dos outros.
Deus desafia os seguidores de Jesus a serem seus imitadores. A morte substitutiva de Jesus Cristo vem colocar-nos um desafio:
Estaremos dispostos a assumir a culpa de algo que foi feito contra nós?
Vejamos, Jesus foi insultado, cuspido, chicoteado, humilhado e crucificado, estando inocente. Aceitou e fez tudo, para cumprir a sentença do nosso pecado contra Deus que também é Ele.
Como consequência de tudo isto, do sofrimento do inocente, hoje somos livres e essa liberdade produz efeitos mesmo quando somos incompreendidos e humilhados.
Vivemos num mundo onde impera a arrogância, a agressividade, a mentira, a malícia, o interesse do eu, a intolerância, a maldade, um mundo onde tudo isto é praticado e tolerado hipocritamente. Vivemos num mundo onde a Igreja está cheia de joio pronto a desviar os incautos.
É neste mundo e com pessoas que praticam tudo isto e até coisas piores que temos de viver.
Foi para libertar as pessoas desse mal interior que Jesus Cristo foi à cruz, como pagamento por toda a maldade, por toda a minha e por toda a tua maldade.
Ninguém é bom nem bonzinho, mas através do Espírito Deus seremos pessoas em renovação não apenas no caráter mas também renovados em coragem para perdoar e assumir a culpa de outros do mal feito contra nós.
A consequência prática do ato de reconhecer e aceitar a Jesus Cristo é a libertação da amargura da injustiça, pois assumimos a culpa da injustiça, do mal ou seja do que for e assim Deus já pode libertar esse mal e consequentemente deixará de ter efeito, poderemos então dizer que a alma foi curada. A vida é uma continuidade e os atos de perdão e assumir as culpas serão também uma constante.
Parece um paradoxo que a vítima assuma a culpa para ser libertada do mal que lhe fizeram, mas tudo isto é uma realidade num mundo real mas com consequências espirituais. Temos de compreender que qualquer que seja o pecado contra nós tem de ser liberado. Não chega o perdão mas tem de haver libertação e se o ofensor/agressor não tiver capacidade ou discernimento para tal, temos como cristãos de assumir perante Deus as responsabilidades para que o mal seja perdoado. Ao assumir a culpa tornamo-nos pecadores, mas sabemos que temos diante de Deus um advogado (1Jo 2:1) que intercede por nós, para que sejamos liberados. É a certeza da salvação e do perdão que nos permite tomar decisões que parecem loucura para os homens, mas que liberta os cristãos para plenitude da comunhão com Deus.
Uma das consequências práticas da não libertação do pecado é uma das mais populares doenças da atualidade, a depressão, não em todos os casos, mas em muitos têm a ver com raízes de amargura, de falta de perdão e de libertação da agressão de que se foi vítima.
A vida não é linear e nem tudo tem de se fazer da mesma maneira. O legalismo é inimigo da sabedoria. As regras são opressoras, os princípios libertadores. Se devemos ser praticantes do perdão e da libertação do pecado contra nós, também devemos ser sábios na aplicação do relacionamento futuro com os agressores, pois muitos deles não vão perceber absolutamente nada e vão continuar na deles e por vezes até piorar a situação, mas a nossa relação com Deus não pode ser prejudicada por causa de outros.

A Páscoa cristã não é uma festa anual de celebração, é uma atitude diária de vida, é a prática comum do perdão, é a prática diária da libertação do pecado contra nós em que passamos de vítimas a culpados e posteriormente a perdoados. É o maravilhoso e paradoxo mundo da fé em Jesus Cristo, com a intervenção direta do Espírito Santo e a graça misericordiosa de Deus.
Alexandre Reis
Para algum esclarecimento contactar através do mail: blog.terradosreis@gmail.com

OPÇÃO

O direito de escolha é algo extremamente importante para Deus.
A questão da opção é tão importante para Deus, que fomos equipados com duas características para estarmos preparados para lidarmos com a tomada de decisões. Ninguém pode tomar decisões se não estiver preparado para isso, por isso fomos criados inteligentes e livres.

Inteligência e liberdade são dois atributos essenciais para os humanos.

Como não se nasce cristão, tornamo-nos cristãos, mas, para tal, precisamos de ferramentas.
Aceitar a salvação, aceitar a obra salvítica de Jesus é muito mais que a manifestação de uma emoção proporcionada por algum orador motivacional integrado num ambiente dito cristão.
A decisão tem de ser ponderada e crescer ao longo do tempo.
Se a fé é a capacidade de olhar para o futuro como se fosse presente, a inteligência é a faculdade de compreender a capacidade conceptual e a racionalização do presente com a abrangência do que será o futuro.
A teoria das inteligências múltiplas veio desmistificar os tradicionais conceitos de inteligência baseados na palavra e na lógica matemática.
Fomos equipados com uma série de capacidades que no seu conjunto se pode chamar de inteligência, não significando que todos serão hábeis matemáticos ou habilidosos músicos ou extremosos cuidadores ou excelentes oradores, mas a diversidade múltipla de capacidades levam a uma variação de inteligências consoante a composição das várias dimensões do individuo.
O que Deus nos deu em comum, é que cada um terá no mínimo capacidade de analisar e tomar as decisões que irão influenciar a vida. Nenhuma decisão é inocente e todas têm consequências.
A(s) inteligência(s) é a ferramenta com a qual seremos confrontados na altura da tomada de decisões.
Ninguém poderá argumentar com o ter sido enganado ou qualquer outra desculpa. No Éden, Adão desculpou-se com Eva e Eva com a cobra. Adão e Eva quiseram inocentar-se por via da inocência em virtude de terem sido enganados. Não há desculpa para quem foi equipado com inteligência decisória para analisar, pensar e decidir, pode haver, se houver arrependimento. Deus não criou seguidistas. Seguidista é aquele género de pessoa que segue ou apoia ideias ou teorias ou alguma autoridade sem questionar ou fazer qualquer juízo crítico. É aquele género de pessoas que quando as coisas correm mal, a culpa é dos outros e que nada têm a ver com o assunto. Os inocentes por interesse estão a declarar-se fora da criação inteligente e com capacidade de decisão.
A inteligência decisória serve para a tomada de decisões conscientes e com conhecimento do que se faz.
A responsabilidade é companheira da inteligência decisória, porque sem inteligência não há possibilidade de escolher e ninguém ficará com Deus se não tomar a decisão de aceitar a reconciliação através de Jesus Cristo e se não for consciente do ato.
Os religiosos manipulam as emoções utilizando fé como seguidismo. Fé, nada tem de seguidismo assim como, emoções manipuladas pelos religiosos nada têm de fé.
Religião e estupidez são sinónimos e os religiosos não gostam de ser analisados e muito menos confrontados com o que está escrito, o que não corresponde àquilo que Deus quer. Na Bíblia no livro de Atos, capítulo 17 versículos 11 e 12 diz que os de Bereia foram mais nobres porque analisaram o que lhes diziam com o que estava escrito e que muitos creram pois o falado correspondia com o escrito.
Ser cristão não deve ser sinónimo de apagamento intelectual e de juízo crítico, mas também não é sinónimo de superioridade analítica nem de conflitos.
Se a inteligência decisória é parte integrante do plano de Deus para a salvação, todas as outras capacidades cognitivas devem ser usadas para a busca e compreensão conceptual da fé em sistema de respeito pela diferença.
No que respeita à fé, a inteligência é uma ferramenta interna, sendo a liberdade a ferramenta externa.
O ser humano foi criado num ambiente de liberdade, equipado com inteligência e com capacidades criativas.
Uma velha máxima diz que a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade dos outros, ou seja, é o direito de se agir consoante nos pareça bem, mas também respeitar o mesmo direito aos outros independentemente da fé ou de opções espirituais .

As manipulações, as pressões sejam emocionais, físicas, sociais ou outras levam à distorção da realidade e da tomada de decisão, que, se for sem liberdade, sem consciência da verdade, sem altruísmo, sem generosidade, sem piedade e sem compaixão são decisões forçadas, externas, sem paixão, hipócritas e opressoras.

Liberdade é a capacidade de se poder determinar individualmente, em plena consciência e após reflexão.

Há vários conceitos associados à dicotomia inteligência e liberdade, tais como o livre arbítrio, a igualdade, a nobreza e a humildade. Estes conceitos fazem parte da liberdade atribuída ao ser humano para a uma escolha consciente.
A escolha final será o fecho do acumular de muitas experiências, com muitas escolhas, com muitas emoções e contradições à mistura, mas há situações em que se tem de parar e separar as águas e é aí que a inteligência decisória, que todos têm, terá o seu papel principal, que poderá ser a continuação ou a mudança.
Mudar ou continuar na mesma,
mordomos ou proprietários,
livres ou escravos,
fé ou vista,
eu livre ou eu dependente,
aceitar ou não aceitar,
fazer parte do universo ou ser mais um sem identidade,
ir pelo caminho da glória de Deus, que é Jesus, ou ficar resumido à auto insignificância.
Nas tuas mãos e na tua capacidade decisória está o teu destino.
Conscientemente, todos e cada um por si, decidiremos o destino.

Na devida altura será efetuada a sementeira, e à sementeira efetuada corresponderá a respetiva colheita.
Alexandre Reis
Para algum esclarecimento contactar através do mail: blog.terradosreis@gmail.com

JUÍZO FINAL OU TALVEZ NÃO

Juízo final ou dia do juízo ou fim do mundo são ideias que fazem parte de todas as culturas e
sub-culturas.
As culturas de cariz espiritual/religiosa têm os seus dogmas e muitos acreditam que o dia final virá. Mesmo as culturas que se dizem não religiosas vivem na permanente suspeição de que um dia ao planeta Terra poderá acontecer algum fenómeno catastrófico que o irá destruir ou destruir a vida.
De comum, têm a noção que a fragilidade do planeta pode conduzir a algo que poderá ter consequências para os habitantes. O que difere nas diversas culturas são as origens e os objetivos. Uns vivem apavorados com a ideia de um meteorito atingir o planeta, outros temem algum super vulcão. Houve quem já temesse uma guerra nuclear, outros temem um deus vingador que castigará os maus e recompensará os bons, etc.
Como cristão, sei que chegará o dia em todos iremos ser confrontados com as decisões que se tomaram ao longo da vida. Esse dia, não será apenas para os habitantes da altura mas para todos os humanos que passaram pelo planeta. Será o dia da prestação contas.
Não designei a situação por julgamento ou juízo, o termo utilizado foi de prestação de contas.
Todos nós estamos habitados a preencher questionários e pelas nossas respostas é atribuído o bem, ou o lugar, ou o serviço, ou o emprego ou qualquer outra coisa que estamos a tentar obter.
A nossa vida é uma constante tomada de decisões e o conjunto dessas decisões serão as respostas ao questionário das opções de vida.     

Em textos anteriores tenho explicado a questão da liberdade e livre escolha. A questão do juízo final não é mais nem menos do que ser colocado de acordo com as escolhas livres que foram sendo efetuadas ao longo da vida.

Os tempos conforme conhecemos tiveram um princípio e hão-de ter um fim. Quando será o fim não sabemos, temos pistas mas não o mapa. Para todos os que já cá não estão, a possibilidade de alterar a escolha já passou e no último dia dos atuais tempos seremos todos confrontados com as nossas escolhas.
Mas o que realmente irá acontecer?
Nesse dia serão todos separados em dois grupos. O grupo que escolheu viver sem Deus e o grupo que escolheu viver com Deus. Depois dentro do grupo que escolheu viver com Deus serão expulsos os falsos, ou seja, o joio e serão transferidos para o outro grupo.
Por sua vez, dentro de ambos os grupos haverá a atribuição conforme a obra de cada um.
Mas qual a diferença entre um lado e o outro?
Simples, os humanos são uma alma que tem um corpo e um espírito. Aquando da nossa morte o corpo ao pó regressa e o espírito irá para o criador, ficando apenas a alma.
Os que escolheram o caminho de ficarem com Deus ficarão na presença direta de Deus e terão um novo corpo, totalmente incorruptível.
Do lado dos que escolheram viver sem Deus ficarão só com a alma e irão passar toda a eternidade junto aos anjos que decidiram juntar-se a lúcifer na rebeldia contra Deus. Neste grupo terão em comum o não ter um corpo físico.
A alma tem vida própria, mas só é expressa através de um corpo.
Sem corpo, os que optaram viver na resistência à natureza e em oposição ao seu criador, viverão toda a eternidade sem a capacidade de satisfação de todas as necessidades emocionais, intelectuais e físicas.  É o lugar onde há expressão, mas não há satisfação.
Independentemente da questão religiosa ou outra, todos sabemos que um dia o corpo irá ser reduzido a pó. Este é o mistério que tem atormentado a existência humana deste sempre.
O corpo não se representa apenas a si mesmo é também a imagem de tudo o que é perecível, desde o material ao social. O corpo representa precisamente aquilo que qualquer um sabe que não é importante, mas que muitos de livre vontade escolhem ser o centro da vida, mesmo sabendo de antemão que nenhuma gratificação duradoura trará.

Viver para o corpo significa viver para o imediato.
É viver o agora sem pensar nas consequências no futuro.
É viver para a destruição do meio ambiente única e exclusivamente por causa do ter.
É viver para a individualidade, para a arrogância, para o desprezar os outros.
É criar regras que não se tenciona cumprir, é viver na hipocrisia, é condicionar a liberdade dos outros com manipulações religiosas, políticas, filosóficas, sociais e até cientificas.

Viver para o corpo é desejar vingança em vez de justiça.
Viver para o corpo é viver num desenfreado constante à procura de auto satisfação física.
Viver para ao corpo é querer ser independente de tudo, esquecendo que no planeta Terra tudo está interligado desde o formato do planeta, a sua posição no universo, os habitantes, o clima, a atmosfera. Tudo o que está no planeta tem uma interligação em que tudo está dependente de tudo, em que cada um tem uma importância especifica e que nada pode ser desprezado ou descuidado.
Viver para o corpo é viver sem denunciar o mal, é viver sem denunciar a exploração do ser humano, é viver sem denunciar os atentados à dignidade, venham eles de onde vierem.
Viver para o corpo é viver sem denunciar a opressão aos pobres e aos miseráveis, é viver sem denunciar a opressão política.
Viver para o corpo é levar o mundo à destruição da esperança.           

Foi dada inteligência, liberdade e livre escolha. A decisão é pessoal e na hora da análise estar-se-á solitário e não se poderá atirar as culpas para outros. Atirar as culpas para outros é negar a inteligência, é não saber usufruir da liberdade, é negar a livre escolha.

O corpo sem alma, não passa de um invólucro sem vida, mas a alma sem corpo é vida sem expressão. Por isso é que a Bíblia diz que aqueles que escolheram viver sem Deus serão reencaminhados para o lugar da sua escolha e que nesse sitio haverá choro constante. É o lugar onde há expressão, mas não há satisfação e sem satisfação não há alegria nem conforto.

Jesus prometeu que viria buscar todos aqueles que escolheram viver com Deus e que dará a cada um, um corpo novo e incorruptível, e que serão levados para viverem na providência constante de Deus.
Ir para este lugar não significa que se tenha de ser bom, fazer tudo correto ou fazer-se qualquer coisa para se obter o passaporte, basta única e exclusivamente, reconhecer o caminho preparado por Deus e que é Jesus Cristo.
Jesus Cristo não trouxe apenas uma mensagem simpática e uma filosofia de vida.
Jesus Cristo renovou o compromisso que Deus tem com a sua criação e mostrou mais uma vez o desejo de que todos se juntem a Ele.
Jesus Cristo renovou também a liberdade da livre escolha.
Jesus Cristo renovou a visão de que o lugar do ser humano é junto a Deus.
Jesus Cristo abriu o caminho para todos, mas só irão por Ele os que escolherem.  
Jesus Cristo mostrou o lugar e a importância que cada um tem no universo e na criação.
Jesus Cristo renovou a igualdade entre os humanos, mas recusou a unicidade.
Jesus Cristo trouxe a conciliação não apenas entre Deus e os humanos, mas também entre os humanos e a natureza.
Jesus Cristo abriu o caminho para a liberdade definitiva a um planeta aonde a opressão e a depressão são a norma.
A opção por uma eternidade de insatisfação, atormentado pela incapacidade de expressão física é a negação de toda a obra e fruto de Jesus Cristo. 
O Juízo Final já foi no passado, quando Jesus Cristo foi pendurado na cruz para pagar por todos nós.
A liberdade final foi quando Jesus Cristo ressuscitou e venceu a separação entre Deus e a humanidade.

O destino não está traçado previamente, pois seria um insulto à inteligência e à livre escolha.
O destino não está na sorte, nas estrelas, nas pedras, nas cartas, nas mãos, na estultícia de alguém ou em algum calendário.
O destino está nas escolhas e nenhuma decisão é inconsequente.

O momento do juízo final não será no futuro. O momento da escolha para a eternidade é o presente, é hoje que se decide qual o caminho e a vida que se quer.
   
Juízo Final? Não, apenas reencaminhar para as escolhas feitas.
Alexandre Reis
Para algum esclarecimento contactar através do mail: blog.terradosreis@gmail.com

JÁ CÁ ESTÁ E ESTÁ QUASE

A figura do anticristo é um dos mistérios do cristianismo.
A Bíblia não apresenta claramente o anticristo como uma pessoa, mas como uma expressão de negação da divindade de Jesus Cristo.
Na leitura do livro de Apocalipse é que a tradição interpreta a besta como o expoente máximo do mal e como o último anticristo.   
Nesta fase do livro de Apocalipse, o conceito mais correto não é de anticristo mas sim de falso cristo. Como o Cristo é o salvador, o termo falso cristo aplica-se perfeitamente pois será esse o papel que tentará representar. Numa primeira fase o anticristo ou mais corretamente, o falso cristo, irá querer colocar-se ao nível de Jesus Cristo.

O termo cristo deriva do grego de khristós e significa ungido ou aquele que recebeu uma unção direta de Deus. Assim a besta, o anticristo ou falso cristo, terá um aparecimento milagroso que só poderá ser de uma forma transcendente para poder usufruir do direito recebido da bênção. Para uns será de Deus, para outros do universo, ou ainda de forças cósmicas. A sua suposta unção será defendida conforme o destinatário da mensagem. Com tanto apoio e reconhecimento mundial vai colocar-se no lugar de consciência positiva da humanidade.
Sabemos, quer por experiência própria, quer pelo que está na Bíblia, que as hostes satânicas são peritas em dissimulação e falsidade. O último anticristo, uma das bestas será o maior de todos. 
Dado o seu aparecimento sobrenatural, o anticristo numa primeira fase ir-se-á apresentar com toda a simulação possível de bondade e compreensão abrangente, tanto que irá confundir a quase totalidade da população mundial.

Muitas figuras têm-se apresentado como anticristo. Fazem as maiores das barbaridades só para ofender os cristãos e a cultura pseudocristã. Embora os seus atos sejam uma aberração e eventualmente até podem ofender alguém, mas os seus feitos apenas têm efeito para eles próprios e para os seus seguidores. Os anticristos não são os praticantes de rituais mórbidos, não são os assassinos, os violadores, os ladrões, os pedófilos, os passadores de droga, os drogados e outras figuras com atos equivalentes.  
Os anticristos não são figuras externas ao cristianismo mas de dentro das próprias comunidades.
Os anticristos são aqueles que dentro das comunidades cristãs fingem qualidades, princípios, ideias e sentimentos sem os terem.
Os anticristos não são abertamente pessoas malvadas, mas aderentes à negação da divindade de Jesus Cristo através de atitudes dissimuladas de misericórdia, assim sendo os seus frutos são diferentes mas disfarçados e encobertos.
Desde o passado e até ao presente a figura de Jesus Cristo real, o filho de Deus, o Deus vivo, que pagou o preço e que ressuscitou está a ser esvaziada unicamente para os seus ensinos de tolerância, paz, libertação dos bens materiais, etc. O mundo esteve a ser preparado para aceitar os ensinamentos de Jesus, de um lutador por ideais e de uma vida de sofrimento.

O mundo esteve a ser preparado para a descontextualização dos evangelhos do resto do Novo Testamento eliminando também o evangelho de João, ficando somente o Jesus bom e tolerante.
O mundo esteve a ser preparado para se tornar intolerante à santidade e aos ensinamentos das diversas cartas do Novo Testamento.
O mundo esteve a ser preparado para aceitar a fusão das diversas religiões e aceitar as diversas figuras ligadas a essas religiões como os precursores do último falso cristo ou anticristo.
O último anticristo, ou seja, uma das bestas, terá uma pseudo ressurreição milagrosa que irá maravilhar a quase totalidade da população mundial.
Será um ancião e a sua não morte será interpretada como uma ressurreição e será anunciado como um sinal que está o alinhado para feitos superiores.
A sua saúde parecerá débil mas a sua força anímica deslumbrará o mundo.
Sendo um ancião, terá provado ao longo da sua vida que é uma pessoa de tolerância e paz, que não faz distinção de raças, políticas ou religiões. Também terá provado no passado que não é uma pessoa agarrada ao poder.
O seu testemunho de vida passada é de uma pessoa de convicções, de luta, que sofreu perseguições, que foi injustiçado e que esteve preso pelos seus ideais de liberdade, de igualdade e justiça.
A sua herança será que depois de tudo o que passou, soube perdoar e olhar para o futuro.
Sendo uma figura reconhecida a nível mundial e com um currículo de vida quase intocável, não será difícil a propaganda colar-se à única figura da história da humanidade que exerceu verdadeiramente um ministério de libertação, esperança e amor, ou seja, Jesus Cristo.
Os cristãos que assimilaram toda a propaganda do cristo bom e filosófico receberão de braços abertos este homem pseudo ressurreto.
As outras religiões ir-se-ão congratular com a figura paternal deste homem que tem origens na zona que segundo a religião evolucionista terá aparecido a humanidade.
Os judeus, cuja maioria não aceita o Filho de Deus, irão congratular-se com esta figura, mas quando descobrirem que foram enganados já será tarde.
Ele já cá está, o homem bom, o homem tolerante, o homem sem apego ao domínio, o homem do milagre de vida, o homem que só exercerá o poder por influência e que terá poderes sobrenaturais. Estas são as imagens que serão vendidas e que serão aceites quase mundialmente. Aqueles que não aceitarem serão os inadaptados e serão ostracizados por todas as sociedades.
Na primeira fase será uma figura estupenda, depois revelar-se-á e mostrará os seus propósitos, aí já será tarde, pois já lhe terá sido entregue todo o domínio.  
Ele já cá está e está prestes a manifestar-se.

Alexandre Reis
Para algum esclarecimento contactar através do e-mail: blog.terradosreis@gmail.com

SALVAÇÃO


A rotina de comunicação entre pessoas do mesmo grupo leva por vezes a criar-se uma linguagem interna. Muitos grupos criam jargões próprios que mais parecem línguas estranhas. Mas este tipo de linguagem é utilizada em muitos tipos de grupos, sejam ligados a profissões, sejam grupos sociais ou até religiosos. A gíria social é muito comum e serve para manter a unidade do grupo e também a identificação. A linguagem de um grupo não significa que se criem novas palavras, embora isso possa acontecer, mas o mais comum é a utilização até à exaustão de termos que criem empatia uns com os outros.
Nós cristãos, utilizamos muitos termos que no íntimo sabemos que são essenciais, mas que a sua explicação fora do meio pode ser incompreensivel e até atabalhoada.
Gostaria de dar de dar alguma compreensão a um termo muito usado na gíria cristã evangélica, tentando fugir à linguagem religiosa.
O termo salvação é dos conceitos mais usados neste grupo.
Quando se diz que Jesus é a salvação, ou que somos salvos pelo sangue de Jesus, ou precisas é de Jesus na tua vida, está a utilizar-se uma linguagem religiosa, que embora possa ser bem intencionada, quem estiver fora do círculo não entende nada e o pior é que o termo salvação destina-se precisamente àqueles que não percebem o que se está a dizer.
Mas o que é a salvação ?
Porque precisamos de ser salvos ?
Como seremos salvos ?
Qual o nosso papel na salvação ?
Em primeiro lugar precisamos de compreender que não vivemos apenas por viver.
A vida como a conhecemos não é fruto do acaso, nem tão pouco depende de alguma circunstância ou de algum fenómeno geológico ou de algum fenómeno cosmológico ou de qualquer outro fenómeno fortuito.
A vida tem um propósito.
A vida é a exaltação da beleza do universo.
Não existimos apenas para decoração, vivemos para integrarmos e usufruirmos da grandeza do universo.
Integramos o cosmo e somos a sua própria consciência. Fazemos parte de, temos de viver com, mas não estamos no mesmo patamar que a natureza nem dos animais.
Temos alma, espírito e corpo.
Temos consciência da nossa existência e das consequências dos nossos actos.
Temos consciência e conhecimento da infinitude, mas parece que vivemos limitados.
Temos consciência e conhecimento do absoluto, mas parece que vivemos no relativo e com restrições.
Temos consciência e conhecimento do eterno, mas parece vivemos com princípio e fim, porque o conhecimento é apenas parcial.

A consciência e o conhecimento embora limitados levam a interrogar sobre a nossa própria existência e a sua razão de ser.
Desde sempre, o ser humano se interrogou sobre as suas origens. É algo intrínseco e que faz mover a humanidade.
O conceito de origem cristã é baseado essencialmente na harmonia e estabilidade e é nesse ambiente que deveríamos estar a viver. Mas o poder da dúvida levou para outro caminho.
Nesse ambiente de paz, o ser humano manteria uma relação de concórdia tripartida com Deus, com a natureza e com os outros. Esse lugar já existiu e a Bíblia designou-o por Éden ou também como é conhecido por Paraíso.
Mas sendo o livre arbítrio uma das características de Deus, foi dado aos humanos o direito de escolha.
Os humanos das origens e por influência de terceiro, optaram por quebrar o relacionamento com Deus e assim desestabilizaram também toda a harmonia circundante.
Aqui entra um conceito importante, que é o da morte. Biblicamente morte não significa desaparecimento, significa simplesmente separação ou mudança. Quando Deus disse a Adão e Eva que morreriam se comessem do fruto da árvore do meio do jardim, o que aconteceu foi que não morreram, simplesmente foram separados de Deus. Apesar de enganados não eram inocentes, foi de livre vontade que simplesmente resolveram satisfazer os seus desejos.
Ao quererem ser independentes de Deus, os humanos entregaram a autoridade espiritual àquele que o enganou. O enganador passou a liderar o enganado.

Ao ficar isolado de Deus o Homem ficou sujeito a uma natureza desordenada e descontrolada e perdeu também o equilíbrio interior.
Desde essa altura o ser humano tem procurado reencontrar-se e reencontrar o seu lugar no universo. O Homem quis ser independente de Deus, mas acabou por pagar uma factura elevada e ficou sujeito aos caprichos da natureza. O relacionamento com Deus foi quebrado e o relacionamento entre os humanos tornou-se problemático.

Fomos criados para viver na plenitude do universo. Fomos equipados com inteligência, com criatividade, com sentimentos e também para sermos dominadores e fomos integrados num ambiente amigável, suave, ameno e favorável.
Com todas estas características foi-nos também dado a escolher em quem queríamos acreditar e a quem nos queríamos submeter espiritualmente.
Com capacidades inatas de superioridade sobre o que rodeava, que produzem algum poder, o ser humano psicologicamente ficou fraco pois ficou com a tendência para a arrogância, sobranceria e presunção.
Ainda hoje os humanos têm essas capacidades inatas e mantêm também as mesmas tendências negativas provenientes da capacidade de dominar.

A grande luta da humanidade tem sido para tentar descobrir a maneira de viver sem depender de ninguém. Essa tem sido a busca da pedra filosofal ou do graal e é o sonho de todos e vai variando consoante a época. O empregado que sonha ser patrão, o jogar na lotaria, o jovem que quer sair da casa dos pais, os países que não querem depender de outros, as tentativas de controlar o tempo, a agricultura em ambiente controlado, etc. O sonho da riqueza é como o karma de não se precisar de depender de ninguém, pelo menos assim pensa quem tem o desejo de ser rico.
Com toda a intelectualidade, com todo o conhecimento que se foi descobrindo, com toda a técnica desenvolvida, mesmo assim em vez de se tentar usufruir do muito que se tem, luta-se constantemente para se ultrapassar uma insatisfação que parece não ter acalmia.

A busca da estabilidade e da independência tem sido fomentada por entidades que são peritas em dissimulação. Enganam hoje, como enganaram no início. Enganam tudo e todos, com promessas de conhecimento libertador. Mas, com milhares de anos de registos, a situação da humanidade de hoje é bem mais perigosa que no passado antigo e estamos próximos do ponto de rutura do equilibrio de sustentação da natureza.
Os humanos, com toda a parafernália de utensílios que possuem e utilizam, com a transformação do planeta numa aldeia global e ultrapassando em número tudo que se possa imaginar, está mais frágil hoje do que nos tempos em que nada tinha.
A busca da libertação nada acrescentou à miserável situação em que ficou depois da opção de ficar afastado de Deus.
Ao aceitarem as falsas promessas de Satanás, Adão e Eva foram obrigados a irem viver de acordo com a sua opção. Ao saírem por livre opção do Éden, nunca mais encontraram o equilíbrio interno nem nunca mais encontraram um lugar equilibrado para viverem.
Salvação não é mais que a proposta de regresso ao equilíbrio que se tinha no Éden e a consequente reintegração num ambiente espiritual equivalente e com a visão de que no futuro o ambiente será livre das hostes espirituais da maldade e também no futuro seremos integrados num ambiente sem degradação física e também sem a presença física dos apoiantes das forças da maldade. Será um sítio de respeito, num ambiente cordial, agradável e ameno. Será um local prazeroso e em contacto direto com o criador. A vida será simples e de uma alegria sem fim.
A grande diferença entre o primeiro Éden e a Nova Jerusalém e que no Éden a presença tinha sido imposta, embora com possibilidade de saída, na Nova Jerusalém todos os que lá viverem foi porque livremente optaram em querer ir para lá.
Se a salvação é o regresso ao convívio de Deus, como se pode adquirir ou realizar tal tarefa?
O plano da salvação já foi traçado desde o início dos tempos e não se pode adquirir ou fazer qualquer coisa importante para a ter.
A salvação é um plano de adesão, aceita-se ou não.
A salvação é de adesão gratuita e basta dizer, sim eu quero.
Evidentemente como qualquer outra coisa, para se aderir é preciso saber que ela existe, seguidamente é necessário conhecer a sua utilidade por fim reconhecer a necessidade.
A criação não é fruto de um acaso, nem tão pouco uns evoluem para algum estágio superior enquanto outros não souberam aproveitar as circunstâncias e tornaram-se seres inferiores. Os seres humanos já estiveram num lugar quase perfeito e tinham uma vida perfeita. Optaram por perder esses créditos, mas o retorno a esse lugar, num futuro totalmente perfeito e a uma vida exaltante está a um click do querer.
Com a desobediência de Adão e Eva e a sua atitude de não reconhecimento do erro, certamente teve e tem de haver um preço a pagar para o retorno ao convívio direto com Deus. O requisito primordial da salvação é o reconhecimento da situação de afastamento e desobediência,  todos os outros requisitos já foram cumpridos por  Jesus Cristo. 
A primeira vinda de Jesus Cristo foi o passo para a abertura da porta para que todos  possam retornar ao convívio de Deus. Sendo inocente, Jesus Cristo assumiu e pagou por todos nós a dívida da desobediência e da falta de confiança e pagou segundo as regras da altura. O inocente pagou com a sua própria vida para que nós pudéssemos retornar ao paraíso. O prémio foi a sua ressurreição e com ela a morte foi vencida, como morte é separação significa que Jesus Cristo é o caminho para a reconciliação.
Continuas afastado de Deus, sim estás a errar o alvo da tua vida e tens conhecimento dessa realidade.
Para retornares ao convívio de Deus, basta dizeres, sim eu quero. Sim eu aceito a obra salvitica de Jesus. Sim eu não quero estar mais afastado de Deus e aceito o caminho
Sim, eu quero fazer as pazes para viver em paz com Deus.
Sim, eu quero usufruir de tudo o que Deus tem para mim no presente e na eternidade.
Sim, eu quero e posso alterar.
Sim eu quero voltar ao convívio direto com Deus.
Somos livres para fazer escolhas e também somos livres para nos libertar das consequências das más escolhas.


Alexandre Reis
Para algum esclarecimento contactar através do e-mail: blog.terradosreis@gmail.com

TEMPOS DIFÍCEIS ?



Vivemos tempos difíceis não porque estamos numa crise financeira a nível mundial, não porque vivemos numa época sem valores estáveis, não porque não há segurança em parte alguma, não por qualquer outro facto ou constatação, vivemos tempos difíceis porque o mundo atual está a ser guiado por filosofias e doutrinas que o estão a encaminhar para a destruição.

Jesus disse que os cristãos são a luz do mundo.

Se o mundo anda desorientado é lícito perguntar onde está luz, onde estão os guias ou o que andam a fazer face a tanta desgraça no presente e a um futuro sombrio.
As perguntas pertinentes são: saber onde estão os cristãos? e o que é que cá andam a fazer?

A estimativa de habitantes do planeta é de cerca de 7 biliões de pessoas.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Enciclopédia Britânica, 33,06% da população mundial diz professar o cristianismo, 21% o islamismo e 13,33% o hinduísmo.
Se fizermos as contas são cerca de 2 biliões trezentos e catorze milhões de pessoas que se dizem cristãos, ou seja, 1 em cada 3 habitantes do planeta diz que é cristão.
Face à situação do mundo e do planeta, é caso para se dizer que é muita gente e pouca obra.

Se analisarmos cada “igreja”, verificamos que a grande luta não é a disseminação do evangelho, mas simplesmente sobreviver, quer como comunidade e estrutura, quer como a “liderança” arranjar meios de subsistência.
Verifica-se muito mais o proselitismo entre as diferentes comunidades do que conseguir chegar às populações não crentes onde estão inseridas.
O problema de muitos dos que se dizem cristãos da atualidade é a falta de convicções, tornaram-se religiosos e integraram a cultura nas suas crenças. O ser cristão passou a ser um conceito tal como as convicções futebolísticas, conceitos de beleza, conceitos de pátria ou outros. Ser cristão passou a ser um hábito cultural e não uma fé.
Cristãos culturais geram cultura religiosa e cultura religiosa é parte integrante do sincretismo filosófico dos tempos atuais onde as convicções são consideradas perigosas.
Sem convicções os cristãos abandonaram a causa de Cristo. A cruz e a salvação passaram a mitos. A cultura aceita que os mitos façam parte da vida, mas desvaloriza-os como realidade.
A sociedade vai tolerando os que se dizem cristãos, porque o seu misticismo religioso ainda os leva a fazer umas caridades que servem para aliviar a consciência dos ditos cristãos e a sociedade vai aproveitando alguma coisa destes pobres de espírito.

As divisões entre os que se dizem cristãos são tantas e os conflitos internos são tão conhecidos que em muitos sítios os cristãos estão completamente desacreditados. As desavenças entre os que se dizem cristãos são folclore para entreter os beligerantes e animar a população local.

Sendo os que se dizem cristãos ⅓ da população mundial e estando concentrados maioritariamente no ocidente, em que a democracia (?) ainda é o sistema político vigente, seria de esperar que ao menos tivessem alguma influência. Mas se analisar-mos bem a situação, têm mais influência a comunidade LGBT( Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais) que segundo alguns estudos representam uma ínfima parte da sociedade.

A falta de convicções dos que se dizem cristãos, aliada a uma grande integração nas suas doutrinas de filosofias mundanas tornaram o cristianismo maçador, desinteressante e acima de tudo sem objetivos pelos quais vale a pena lutar.

O cristianismo da atualidade não tem alternativas, deixou-se ultrapassar pelas doutrinas da exaltação do ser humano. Assim sendo, o cristianismo no ocidente foi relegado para a esfera privada, sendo a capacidade técnica do ser humano a grande estrela da sociedade.

Muitos dos que se dizem cristãos tornaram-se cúmplices do assassínio de inocentes, a difamação é prática também de muitos, a destruição da família é comum e até apoiada por muitos, a falta de transparência e até a falsificação das contas é gritante, o conluio com atividades na área da prostituição é visível, a falta de compromisso pessoal e coletivo é gritante.
Bem podem os oradores efetuar pregações inflamadas a exaltar as virtudes do cristianismo e a condenar quem lá não está, que com este tipo de testemunhos certamente da sociedade vão é receber desprezo.

Sendo esta a perspetiva do mundo cristão da atualidade, pode-se pensar na sua falência ou até o seu desaparecimento. Do ponto de vista mundano esta é uma possibilidade com que sonham há muito tempo.

Jesus avisou que a Igreja iria ter de conviver com o joio. Se o joio parece que tomou conta da Igreja, se muitos líderes são o próprio joio, outros não têm discernimento para verificar a diferença e até fazem pactos com o mal, não é por isso que o cristianismo irá desparecer.  
O joio nos campos de trigo entrelaça-se nas raízes e como tal é difícil de arrancar, além de que é portador de substâncias tóxicas que prejudicam o crescimento do trigo e até o chega a sufocar.
O joio dentro das comunidades cristãs cumpre o mesmo papel que o verdadeiro joio, entranha-se nas comunidades para ser parte delas e além de lhes roubar a identidade, também tem o papel de desviar e até eliminar o genuíno.

Sabemos que onde há pessoas há possibilidade de conflitos. Também sabemos que o cristão é um pecador redimido através da obra salvítica de Jesus. Como tal, o cristão sabe que não é perfeito e que a sua tendência para o pecado o leva por vezes a fazer asneiras. Mas uma coisa é asneirar e reconhecer o erro, outra coisa é tentar distorcer a asneira em algo subjetivo e fazer doutrina do disparate. Para o cristão pecado é pecado, mas sabe que não é a sua prática e tem estar atento à voz do Espírito, para reconhecer o erro quando o pratica ou nele cai.

Bem podem as comunidades cristãs serem invadidas por pedófilos, avarentos, agiotas, falsificadores, difamadores, mentirosos, adúlteros, etc, etc, etc, que mesmo assim a mensagem do evangelho continuará a ser proclamada.
Bem pode essa gente querer desvirtuar a Bíblia e perseguir os verdadeiros crentes, que mesmo assim Deus há-de continuar a levantar arautos da salvação. Serão os perfeitos? Não, são os humildes e os auto-reconhecidamente fracos que com a sua genuinidade irão mostrar a imagem de Deus

Vivemos tempos difíceis? Sim, porque muitos cristãos abandonaram a fé, mas continuam a fingir que o são.
Vivemos tempos difíceis? Sim, porque o joio tem mais influência na igreja que os cristãos.
Vivemos tempos difíceis? Sim, porque a influência do joio está a introduzir na igreja as doutrinas do mundanismo.
Vivemos tempos difíceis? Sim, porque grupos organizados, com falsa bondade e falsa piedade, estão a ocupar lugares de destaque, para desacreditar quem está lá dentro e criar antipatias com o exterior. 
Vivemos tempos difíceis? Sim, porque a igreja em vez de dar os frutos do espírito está a dar os frutos do joio.
Vivemos tempos difíceis? Sim, porque dão ouvidos a espíritos enganadores, para tornar o mal em bem.
Vivemos tempos difíceis? Sim, porque a hipocrisia fala mentira como se fosse verdade.
Vivemos tempos difíceis? Sim, porque a consciência está de tal maneira cauterizada que já não há discernimento.
Vivemos tempos difíceis? Sim, mas também vivemos tempos de glória, porque no meio de tanta desgraça, no meio de uma crise financeira sem precedentes, da dificuldade em acreditar no futuro, de uma falta de segurança incrível, de falta de compromisso, no meio de destruição de vidas, de famílias, de empresas, no meio de uma sociedade à beira do colapso, sabemos onde está a ajuda e o conforto.

O cristianismo não é uma filosofia, é o poder de Deus para todo o que crê.

As hostes da maldade sabem do poder sobrenatural do cristianismo, mas também sabem que mesmo com a péssima situação em que este se encontra, que não é a quantidade ou mesmo a qualidade que conta. mas a unção do poder de Deus, assim sendo, mesmo nesta situação as hostes da maldade não param nem descansam na sua luta, que também sabem que já foi perdida à cerca de dois mil anos.

Tempos difíceis? Sim e não. Sim do ponto de vista humano, não do ponto de vista espiritual, pois a libertação já foi consumada com a ressurreição de Jesus.

Alexandre Reis
Para algum esclarecimento contactar através do e-mail:blog.terradosreis@gmail.com